O que há antes de "no princípio"?
O Primeiro Livro de Moisés • Sermon • Submitted • Presented
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Gênesis 1.1-5
Gênesis 1.1-5
O QUE HÁ ANTES DE “NO PRINCÍPIO”?
Gênesis 1.1-5
O assunto desta série de sermões é o fluxo da história bíblica. Focaremos na primeira grande seção de Gênesis (Gênesis está dividido em duas grandes seções, a primeira seção fala sobre o início de tudo e a segunda seção trata sobre o início do povo hebreu, a história de Abraão e seus descendentes).
O Salmo 136 é um hino de Israel, forma um excelente pano de fundo contra o qual observamos o desdobramento da história Bíblica. Ele estabelece o conceito de Deus, como Criador, em perfeita relação com o homem, como criatura e adorador.
Louvai ao Senhor, porque ele é bom;
porque a sua benignidade dura para sempre.
Louvai ao Deus dos deuses;
porque a sua benignidade dura para sempre.
Louvai ao Senhor dos senhores;
porque a sua benignidade dura para sempre.
Aquele que só faz maravilhas;
porque a sua benignidade dura para sempre. (vv. 1–4)
Assim, o Salmo 136 começa com uma doxologia tripla e então lista várias razões pelas quais podemos louvar a Deus e pelas quais somos chamados a dar graças por sua benignidade. É interessante que, após dar uma razão geral para o louvor (porque ele “só faz maravilhas”), o salmista direcione nossa atenção, primeiro, para os atos criativos de Deus:
Aquele que por entendimento fez os céus;
porque a sua benignidade dura para sempre.
Aquele que estendeu a terra sobre as águas;
porque a sua benignidade dura para sempre.
Aquele que fez os grandes luminares;
porque a sua benignidade dura para sempre.
O sol para governar de dia;
porque a sua benignidade dura para sempre.
A lua e as estrelas para presidirem à noite;
porque a sua benignidade dura para sempre. (vv. 5–9)
Porém, logo após expressar e desenvolver a verdade de que Deus é Criador, o salmista apresenta uma segunda razão para louvar a Deus — o modo como Deus agiu na história, quando a nação judaica vivia em cativeiro no Egito.
O que feriu o Egito nos seus primogênitos;
porque a sua benignidade dura para sempre;
E tirou a Israel do meio deles;
porque a sua benignidade dura para sempre… (vv. 10,11)
O salmista prossegue falando sobre o êxodo, a divisão do Mar Vermelho, a derrubada do Faraó e a captura da terra de Canaã (vv. 12–21). Então volta a louvar a Deus pela maneira como Deus age no momento particular da história espaço-temporal em que esse salmo foi escrito:
E mesmo em herança a Israel, seu servo;
porque a sua benignidade dura para sempre;
Que se lembrou da nossa baixeza;
porque a sua benignidade dura para sempre;
E nos remiu dos nossos inimigos;
porque a sua benignidade dura para sempre;
O que dá mantimento a toda a carne;
porque a sua benignidade dura para sempre. (vv. 22–25)
Finalmente, no último versículo, o salmista escreve de modo a falar também conosco em nosso próprio momento na História e nos incita a clamar a Deus e louvá-lo:
Louvai ao Deus dos céus;
porque a sua benignidade dura para sempre. (v. 26)
Assim, o Salmo 136 nos coloca diante do conceito bíblico de criação como um fato da história espaçotemporal, pois encontramos nele um paralelo completo entre a criação e outros pontos da história: a espaçotemporalidade da história na época do cativeiro judeu no Egito, da época particular em que o próprio salmo foi escrito, e de nossa própria época quando o lemos hoje.
A mentalidade de toda a Escritura, não apenas desse único salmo, é de que a criação é tão historicamente real quanto a história dos judeus e nosso próprio momento presente do tempo. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento deliberadamente plantam suas raízes nos capítulos iniciais de Gênesis, insistindo em que eles são um registro de eventos históricos. Qual é o princípio hermenêutico envolvido aqui? Sem dúvida, a própria Bíblia nos informa: os primeiros capítulos de Gênesis devem ser vistos integralmente como História — assim como, digamos, os registros a respeito de Abraão, Davi, Salomão ou Jesus Cristo.
Gênesis tem muito a nos ensinar, por exemplo:
Porque devemos descansar dando tempo para o Senhor – porque Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou.
Por que devemos ser fiéis no casamento? Porque Deus criou apenas um homem e uma mulher, não criou dois homens e uma mulher ou duas mulheres e um homem.
Por que não podemos matar? Porque Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, o homem carrega a imagem do criador, Deus zela pela vida.
Por que não devemos adorar a Deus por meio de imagem? Porque Deus é Espírito, ele não é a natureza, ele existia antes dela.
A origem de todas as leis, de todas as coisas, está no livro e Gênesis. Ter a oportunidade de ouvir Gênesis é algo grandioso, pois, de algum modo, poderemos compreender aquilo que cremos partindo do início.
Tem um assunto que é interessante, que gera muita discussão em especial entre os que não leem nem entendem a Bíblia.
Qual é a base moral, para que esse povo entre na terra, e expulse as 7 nações existem na terra e se aproprie totalmente dela?
Pois o povo de Israel, quando chegou em Canaã, havia moradores, e Deus os ordenou a exterminá-los por completo!
- A resposta para isso, tem como base a soteriologia reformada. De quem é a terra? Portanto, Ele dá a quem ele quer, a ele, e somente a ele pertence. Ele pode fazer da terra o que ele quiser, a Escritura do Universo pertence a Deus.
- Ele é criador do homem, e como os homens caíram, Deus tem o direito de julgar as nações e castigá-las como bem lhe parecer, neste caso, usará Israel como instrumento de correção aos caídos, aos que se desviaram de Deus.
- Além disso, Deus dá demonstração de sua superioridade frente aos deuses do Egito e dos povos cananeus que habitavam a terra.
- Lá no Egito, o povo de Israel adorou a falsos deuses, eles adoraram o deus Sol, agora eles aprenderiam que Deus criou o sol, Deus é superior a todos os deuses do Egito e a todos os deuses encontrados em Canaã.
- Por que Gênesis foi escrito?
Primeiro o texto foi escrito por Moisés, e o motivo principal era dar ao povo de Deus o conhecimento de descendência e origem. O povo que estava entrando na terra, teria nas mãos o registro de propriedade daquela terra.
- Afinal, Deus é o criador de tudo o que há!
- Há 400 anos atrás Deus havia prometido dar aquela terra a Abraão, quando ainda ninguém a possuía como propriedade.
- Gênesis e todos os demais livros são o testamento e a constituição de Deus para o seu povo Israel.
Eu poderia me deter em muitos outros detalhes introdutórios sobre o livro, mas deixarei isso para mais tarde.
Vamos ao texto!
v.1 – “No princípio, Deus criou os céus e a terra”.
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- O relato de Gênesis sobre a origem dos céus e da Terra não apenas revela o mundo de Deus como Ele o criou para os seres humanos habitarem, mas também revela o próprio Deus como o todo-poderoso Criador transcendente que não foi criado, mas que criou todas as coisas por meio de Sua palavra e vontade. Ele serve como o alicerce sobre o qual o restante do livro é construído e, especialmente, introduz a visão do livro sobre os seres humanos como uma criação de um Deus que também criou o mundo que os seres humanos habitam.
- O versículo inicial de Gênesis, “No princípio criou Deus os céus e a terra”, e o restante do capítulo 1 nos levam diretamente a um mundo de espaço e tempo. Espaço e tempo são como tear e trama. Seu relacionamento entrelaçado forma a história. Assim, a frase inicial de Gênesis e a estrutura do que segue enfatizam que estamos lidando com História tanto quanto se falássemos sobre nós mesmos neste momento particular do tempo, num local geográfico específico.
- Ao dizer isso, é claro, consideramos o conceito judaico de verdade. Hoje muitos pensam que o conceito judaico de verdade é bastante próximo do conceito moderno — que a verdade é irracional. Mas não é o caso. De fato, quando examinamos o conceito grego de verdade em relação ao conceito judaico, descobrimos essa diferença. Muitos dos filósofos gregos viam a verdade como expressão de um sistema metafísico corretamente equilibrado, muito semelhante a um móbile. Ou seja, enquanto o sistema estivesse equilibrado, poderia ser deixado de lado e considerado verdadeiro. O conceito judeu é o oposto disso.
- Primeiro, é completamente oposto ao conceito moderno de verdade, porque se preocupa com o que está aberto a discussão, aberto à racionalidade, não sendo apenas um salto existencial. Aqui, é como a noção grega. Todavia, difere e é mais profundo que o conceito grego, porque está enraizado no que é histórico. Por exemplo, vemos Moisés insistindo: “Vocês viram! Vocês ouviram!”. Em Deuteronômio 4 e 5, pouco antes de morrer, Moisés lembrou aos judeus diante dele que, quando jovens, eles tinham visto e ouvido o que ocorrera no Sinai, isto é, na história espaçotemporal. Seus pais morreram no deserto, mas eles, os filhos, viram e ouviram na história. Josué falou da mesma forma um pouco depois, em Josué 23.3ss.
- Na realidade, vemos um paralelo exato entre essas e outras passagens do Antigo Testamento e a explicação de João sobre porque ele escreveu o Evangelho de João: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais no espaço-tempo [essa é a ideia aqui], que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20.30,31).
- Ao lidar com os escritos judaicos na Bíblia, e no livro de Gênesis em particular, não devemos entendê-los apenas em termos gregos nem, certamente, em termos de um salto existencial. Em vez disso, temos de insistir na história, verdade que está firmada no espaço e no tempo.
- Isso não é um mito, não é conto, não é uma fábula, é verdade espacial e temporal.
- “No princípio” o que isso significa? Se não há tempo na eternidade, a que “princípio” o texto se refere?
- Embora Gênesis se inicie com “no princípio”, isso não significa que não tenha havido nada antes desse “princípio”. Em João 17.24, Jesus ora a Deus Pai, dizendo: “Tu me amaste antes da fundação do mundo”. Jesus diz que Deus Pai o amou antes da criação de tudo o mais. E em João 17.5, Jesus pede ao Pai que o glorifique, ao próprio Jesus, “com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.
- Há, portanto, uma realidade que remonta à eternidade — a antes da frase “no princípio”. Cristo existia, tinha glória com o Pai, e foi amado pelo Pai antes de “no princípio”. Em Efésios 1.4, lemos: “… [Deus] nos elegeu nele [Cristo] antes da fundação do mundo…”.
- Portanto, antes de “no princípio”, existiu uma realidade diferente de uma situação estática. Uma escolha foi feita e essa escolha demonstra pensamento e vontade. Fomos escolhidos nele antes da criação do mundo. A mesma verdade é enfatizada em 1 Pedro 1.20, onde se afirmar que a morte sacrifical de Jesus foi “preordenada antes da fundação do mundo”. Da mesma forma, Tito 1.2 diz que Deus prometeu a vida eterna “antes da criação do mundo”.
Esse fato impressiona. Como uma promessa pode ser feita antes da criação do mundo? A quem poderia ser feita? A Escritura fala de uma promessa feita pelo Pai ao Filho ou ao Espírito Santo, porque, afinal, nesse ponto específico da sequência não havia ninguém mais a quem prometer.
Finalmente, a mesma ideia é apresentada em 2 Timóteo 1.9, onde lemos que Deus “nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”.
Assim, estamos diante de uma questão muito interessante: quando começou a história? Se alguém está pensando dentro do conceito moderno de contínuo espaço-tempo, então está bastante óbvio que o tempo e a história não existiam antes de “no princípio”. Mas se pensamos na história em contraste com uma outra, eterna e filosófica, ou em contraste com uma eternidade estática, então ela começou antes de Gênesis 1.1.
- É claro: aqui precisamos escolher cuidadosamente nossas palavras. Como devemos falar sobre a situação antes de “no princípio”? Para evitar confusão, escolhi a palavra sequência, em contraste com a palavra tempo conforme usada no conceito de contínuo espaço-tempo. Ela nos lembrará que havia alguma coisa antes de “no princípio” e que era mais que uma eternidade estática.
- Após a criação, Deus agiu no tempo e comunicou conhecimento ao homem que estava no tempo. E já que fez isso, é bastante óbvio que antes e depois da criação não são a mesma coisa para Deus. A Escritura retrata esse “antes de ‘no princípio’ ” como uma realidade que pode ser relatada. Conquanto não possamos exaurir o significado do que está envolvido, podemos verdadeiramente conhecê-lo. É um conceito razoável, sobre o qual podemos discutir.
- Esse tema não é mera teoria. O que está envolvido é a realidade do Deus pessoal em toda a eternidade, em contraste com o outro filosófico ou tudo impessoal que em geral é o conceito de Deus entre os teólogos do século XX. Está envolvida a realidade do Deus pessoal, em contraste com um motor teórico imóvel fixo ou a projeção puramente subjetiva do pensamento do homem.
- Há mais aqui do que na verdade religiosa e destituída de conteúdo que se alcança por meio de algum tipo de salto existencial.
- Como consequência, quando lemos “No princípio criou Deus os céus e a terra”, não somos deixados com algo suspenso no vácuo: algo existia antes da criação e esse algo era pessoal, não estático; o Pai amava o Filho; havia um plano; havia comunicação; e fizeram-se promessas antes da criação dos céus e da terra.
Todo esse conceito fundamenta-se na realidade da Trindade. Sem a Trindade, o cristianismo não teria as respostas de que o homem moderno precisa.
- Como já observei em outro lugar, Jean Paul Sartre destacou bem o problema filosófico básico que nos confronta: o fato de que algo — em vez de nada — existe.
- Esse é o mínimo incontestável e irredutível para começar a mover-se como um homem. Não posso dizer que nada existe; está muito claro que alguma coisa existe.
- Ademais, também está claro que essa alguma coisa que existe tem duas partes. Eu existo e algo em contraste comigo mesmo existe.
Isso nos leva, é claro, ao conceito moderno de Ser. O Ser existe. Mas a questão logo surge: “Sempre existiu?”. Esse é o mistério básico do homem moderno.
O homem está confinado a relativamente poucas respostas. Creio que muitas vezes deixamos de perceber que, à medida que nos aprofundamos nesse ponto, mais simples se tornam as alternativas. Em quase todas as questões profundas, o número de possibilidades finais é, de fato, muito pequeno.
- Aqui estão quatro: (1) outrora havia absolutamente nada e agora há algo; (2) tudo começou com algo impessoal; (3) tudo começou com algo pessoal; e (4) há e sempre houve um dualismo.
A primeira dessas possibilidades — de que outrora não havia absolutamente nada e agora há algo — até onde sei, nunca foi proposta com seriedade por ninguém, e a razão para isso é clara. Para que essa explicação seja verdadeira, nada deve realmente ser nada — totalmente nada — nem massa, nem movimento, nem energia, nem personalidade. Pense, por exemplo, num círculo que contenha tudo que há; e nada há no círculo. Então remova o círculo. Esse é o conceito de nada absoluto.
- Como eu disse, não conheço ninguém que tenha proposto o conceito de que tudo o que agora há veio desse nada absoluto.
- O quarto conceito, de dualismo eterno, pode ser tratado de forma bastante rápida, porque nunca suportou uma análise minuciosa, uma vez que os homens naturalmente buscam o que está por trás do dualismo e de seus particulares, em busca de uma unidade que compreenda a dualidade. Isso é verdade, seja para o dualismo do eletromagnetismo e da gravidade, seja para algum Tao obscuro por trás de Yin e Yang.
- Dualismos paralelos (por exemplo, ideias ou ideais e matéria, ou cérebro e mente) ou tendem a enfatizar um à custa do outro ou deixam sem resposta a pergunta sobre como eles caminham juntos sem nenhuma razão para fazê-lo.
- Em contraste com isso, o princípio impessoal — o conceito de que tudo começou com alguma coisa impessoal — é o consenso do mundo ocidental no século XX.
- É também o consenso de quase todo o pensamento oriental. Ao final, se regressarmos o bastante, chegaremos a uma origem impessoal. É a visão do cientificismo, ou o que chamei, em outro lugar, de moderna ciência moderna, e está incorporada ao conceito de uniformidade das causas naturais num sistema fechado. É também o conceito da maior parte da teologia moderna, se alguém a pressionar o bastante.
- Um princípio impessoal, no entanto, gera dois problemas irresistíveis, que nem o Oriente nem o homem moderno sequer chegaram perto de resolver.
- Primeiro, não há uma explicação verdadeira para o fato de que o mundo externo não somente existe, como também tem uma forma específica.
- Apesar de sua constante tentativa de reduzir o conceito do pessoal à área da química ou do condicionamento psicológico, o estudo científico demonstra que o universo tem uma forma expressa.
- É possível ir dos particulares para uma unidade maior, das leis menores para as leis mais e mais gerais ou super leis.
- Em outras palavras, quando examino o Ser que é o universo externo, fica óbvio que ele não é apenas um punhado de pedrinhas jogadas por aí. O que existe tem forma. Se afirmamos a existência do impessoal como o princípio do universo, simplesmente não teremos uma explicação para esse tipo de situação.
- Segundo, e mais importante, se começamos com um universo impessoal, não há explicação para a pessoalidade.
- Num sentido muito real, a questão das questões para todas as gerações — mas de forma opressora para o homem moderno — é: “Quem sou eu?”.
- Afinal, quando examino o “eu” que é “eu” e então observo ao redor aqueles que me encaram e que também são homens, uma coisa é imediatamente óbvia: o homem tem humanidade.
- Você a encontrará onde quer que encontre o homem — não só nos homens que vivem hoje, mas nos artefatos da história.
- A suposição de um princípio universal jamais pode explicar de modo adequado os seres pessoais que vemos ao nosso redor e, quando os homens tentam explicar o homem, com base numa impessoalidade original, o homem logo desaparece.
- Em resumo, um princípio impessoal não explica nem a forma do universo nem a pessoalidade do homem. Assim, não apresenta base para entender os relacionamentos humanos construindo sociedades justas ou envolvendo-se em qualquer tipo de empreendimento cultural.
- Não é apenas o homem na universidade que precisa entender essas questões.
- O fazendeiro, o camponês, qualquer um que se mova e pense precisa saber.
- Ou seja, quando observo e vejo que alguma coisa existe, preciso saber o que fazer com isso. Em qualquer grau e em qualquer lugar em qualquer período da história, a resposta impessoal não explica estes dois fatores básicos — o universo e sua forma e a humanidade do homem. E esse é o caso, seja ele expresso nos termos religiosos do panteísmo ou em termos científicos modernos.
- Mas a tradição judaico-cristão começa com a resposta contrária. E é sobre essa base que toda a nossa cultura ocidental foi construída. O universo teve um princípio pessoal — um princípio pessoal na ordem superior da Trindade. Ou seja, antes do “no princípio”, o pessoal já existia. Amor, pensamento, e comunicação, existiam antes da criação dos céus e da terra.
O homem moderno é profundamente atormentado pela questão “De onde vêm o amor e a comunicação?”.
- Muitos artistas que se derramam em suas pinturas, que pintam mensagens áridas na tela, muitos cantores, muitos poetas e dramaturgos, estão expressando a negrura do fato de que, embora tudo se sustente em amor e comunicação, eles não sabem de onde essas coisas vieram e não sabem o que elas significam.
- A resposta bíblica é muito diferente: havia algo antes da criação. Deus existia; amor e comunicação existiam; e, assim, antes mesmo de Gênesis 1.1, amor e comunicação são intrínsecos ao que sempre existiu.
- Sobre a Trindade
- Se avançarmos por um caminho ligeiramente diferente, poderemos enxergar até mais da natureza do Deus que existia antes da criação. Em Gênesis 1.26, lemos: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem…”. Como vimos no Novo Testamento, Deus Pai não somente amou o Filho como também lhe fez uma promessa. Assim, não devemos nos surpreender quando lemos a expressão Façamos ou a frase em Gênesis 3.22, “Eis que o homem é como um de nós”. A mesma expressão também ocorre em Isaías 6.8: “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?”.
- O ensino de que a Trindade já existia no princípio é especialmente enfatizado em João 1.1–3. Na verdade, o conceito tem força particular, porque toma a primeira frase de Gênesis e, parece-me, a transforma em um termo técnico: “No princípio já era [o imperfeito grego aqui é melhor traduzido como ‘já era’, em vez de ‘era’] o Verbo, e o Verbo já estava com Deus, e o Verbo já era Deus. Ele estava no princípio com Deus”. Então, no versículo 3, o tempo verbal grego aoristo é usado em contraste com os imperfeitos que o precediam: “Todas as coisas foram feitas [vieram a ser] por ele…”. Assim, encontramos primeiro uma afirmação de que o Verbo já existia, mas então, em nítido contraste, descobrimos que algo novo foi trazido à existência “no princípio”, quando aquele que já existia fez o que agora existe.
- Alguns, gostam de apontar que nos primeiros dois versículos da Bíblia temos uma ação plena da Santa Trindade, operosa na criação, nesse caso, no “princípio” é uma referência ao Filho, que é o princípio criador de tudo “Tudo que existe foi criado por meio dele, e sem ele nada do que existe teria vindo a existência”. Colossenses 1.18 diz que “ele é o princípio”.
Em segundo lugar, o Deus Pai o criador, e o Espírito que pairava sobre a face do abismo.
- Nesse caso, eu concordo, que Cristo está sendo figurado pelo “no princípio”.
- E o que Deus fez? “No princípio, criou (...) os céus e a terra”.
Aplicação:
- É interessante como isso pode se aplicar figuradamente em nossas vidas e história.
- Um dia Cristo, “o princípio”, conforme Colossenses 1.18, foi o agente criador do Pai sobre as nossas vidas, trazendo-nos a um certo ponto da existência.
- Afinal, a própria escritura diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus” (Ef.2.10)
- Então, nesse caso, não há nada de absurdo e alegórico demais, podemos encontrar a nossa própria origem logo no primeiro versículo da Bíblia.
--— Mas, daí você me pergunta: Em que sentido, essa metáfora de que fomos criados em Cristo, se aplica?
v.2 – “A terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas”.
- O segundo versículo aponta para um tempo de vazio e caos, um tempo onde nada pode ser contabilizado, apreciado, quantificado ou mesmo qualificado.
- Olhamos para a nossa própria vida, e vemos esse tempo sombrio. Na verdade onde o “princípio” divino, que é Deus, não reina, só existe vazio e trevas. O coração e a vida dos que não são iluminados estão é um completo abismo, um poço escuro, não há esperança.
- O Espírito do Senhor pairar sobre a face do abismo, parece apontar para aquele tipo de vida sem forma, sem modo, sem ordem, em que o Espírito paira, sobrevoa, mas não atua como vivificador.
- Nós, os homens, afastados da sabedoria divina, vivemos de maneira néscia e miserável, o que representa informidade.
- Reveste-se de forma, apenas quando é por Deus iluminada.
v.4 – “Disse Deus: Haja luz, E houve luz”
- Então, em meio ao vazio e as trevas, frente ao abismo. Deus não deixou as coisas como estavam, e a tudo iluminou.
- “Disse Deus” – Essa é uma expressão simples, mas uma das mais poderosas da Sagrada Escritura. Usamos expressões como: “Disse Deus”, “Assim diz o Senhor”, “Assim falou Deus” – e muitas vezes não nos damos conta da dimensão dessa Palavra.
- Quem está falando? O Deus Todo Poderoso, criador dos céus e da terra. Aquele que quando fala transforma caos em ordem, vazio em beleza, abismo em formas e cores.
- Quando Deus fala, quando Deus diz, algo acontece, e tem que acontecer.
Jesus disse: “As palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida”.
- Quando temos Deus falando no primeiro livro da Bíblia, a primeira vez que ele fala, algo de extraordinário acontece. Ele é aquele que fala e a ordem se sobrepõe ao caos, a Luz se sobrepõe as trevas.
Aplicação:
- Isso se aplica as nossas vidas, uma vez que a luz do Senhor brilhou sobre nós, fomos completamente tirados de um estado de trevas, irradiados por sua Luz, pelo poder soberano do Senhor.
- O exemplo do Apóstolo Paulo, que sua conversão passou por deparar-se com uma luz que brilha em seu caminho, o deixando cego. Mas, em seguida trazendo-o completamente a luz, a vida, a ordem.
v.4 – “E viu Deus que a luz era boa. E fez separação entre a luz e as trevas”
v.5 – “Chamou Deus à luz dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia”
Conclusão
- O último sermão do ano, é um convite a você olhar para a sua própria vida, e ver seu estado e condição, ver a sua própria vida, sua própria caminhada, e lembrar-se que Deus te tirou de um vazio, um abismo, das trevas profundas e te trouxe para a sua maravilhosa luz.
- Você vivia em um estado onde o tempo é era uma contado para a morte, hoje, iluminado pelo Senhor, o tempo caminha em direção a plenitude de Vida, a eternidade.
- Na verdade, o tempo presente, é o que ainda separa-nos do Senhor, entre nós e Ele está o “tempo”, que breve, bem breve será engolido pela eternidade, o que é imperfeito será revestido de perfeição.
